quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

E dá-lhe pedido de propina....

Esta noticía retransmitida pelo site UOl, da Transparência Internacional:

Duas em cada cinco empresas já receberam oferta de propina, diz relatório da Transparência Internacional


Praticamente duas de cada cinco empresas no mundo afirmam que seus executivos já foram solicitados a pagar propina ao lidar com instituições públicas. Esta é uma das constatações do Relatório Global de Corrupção 2009, publicado anualmente pela ONG Transparência Internacional sobre a corrupção no setor privado.

Segundo o estudo, que classifica a escala e o alcance do suborno nos negócios de "desconcertante", a corrupção aumenta os custos de projetos em, no mínimo, 10%. Uma em cada cinco empresas alega ter perdido negócios devido a pagamentos de propina por parte de um concorrente e mais de um terço delas percebe um aumento da corrupção no período analisado.

Em 2009, Congresso aprovou só um projeto anticorrupção

Quase 70 projetos de lei que tratam da prevenção e combate à corrupção ainda aguardam votação no Congresso Nacional. Atualmente, 13 das propostas que tratam do tema estão prontas para votação em plenário da Câmara dos Deputados. Apesar disso, desde agosto do ano passado, quando o Contas Abertas relacionou as proposições legislativas, apenas uma foi aprovada. O único projeto aprovado, em maio deste ano, foi a Lei Complementar 131 obrigará os governos federal, estaduais e municipais a divulgar "informações pormenorizadas" sobre a execução orçamentária e financeira a partir do ano que vem.

O relatório não traz um ranking da corrupção, mas cita que "empresas na Índia, China e no Brasil são avaliadas pelos seus pares como as mais corruptas na realização de negócios no exterior.

Segundo Roberto Romano, professor titular de Filosofia e Ética da Unicamp, a consequência imediata da propina é o prejuízo de uma empresa que deveria estar em igualdade de condições, mas que, em razão do suborno, acaba por perder uma licitação. "Mas o pior dano acaba sendo mesmo ao contribuinte, que paga impostos e não recebe isso em benefício próprio", afirma.

Um exemplo, diz o professor, é a fraude em uma licitação na área da saúde. "Se o dinheiro que deveria ser gasto é utilizado para pagar o intermediador da fraude, isso significa menos remédios, menos leitos. Então, não é aquilo que é mais visível que é o mais nocivo."

O relatório cita que "somente nos países em desenvolvimento e em transição, políticos e funcionários do governo corruptos recebem propinas estimadas entre US$ 20 a 40 bilhões por ano - o que equivale a aproximadamente 20% a 40% do subsídio oficial para o desenvolvimento".
Além dos prejuízos monetários, a pesquisa cita outros exemplos, como "a falta de água na Espanha, a exploração da mão-de-obra na China, ou o desmatamento ilegal na Indonésia, até o uso de medicamentos inseguros na Nigéria e prédios de má construção na Turquia que desabam, provocando mortes".

Nepotismo e lobby
O problema da corrupção, no entanto, é mais amplo, mais complexo e mais sutil do que o pagamento de propinas, diz o levantamento. Entre os grandes obstáculos ao crescimento econômico mundial citados estão o nepotismo e o oportunismo de administradores que abusam dos poderes que lhe são confiados para ganho pessoal. "A corrupção no mercado impede a concorrência leal, os preços justos e a eficiência no mundo inteiro", avalia a pesquisa.

O relatório diz ainda que sistemas de articulação continuam fortes entre empresas e governos, tanto nos países em desenvolvimento como nos países industrializados, com crescente risco de influência desproporcional devido à formação de lobbies empresariais. Caso de países como Bangladesh, Alemanha, Malásia e Trinidad e Tobago.

Conforme o estudo, no Reino Unido, estima-se que empresas com vínculos políticos respondam por quase 40% da capitalização do mercado - um nível que aumenta para 80% na Rússia. Nos Estados Unidos, as despesas das empresas com lobby aumentaram fortemente e, no nível governamental, somam em média US$ 200 mil por legislador, enquanto cinco lobistas competem pela atenção de cada legislador.

"A democracia não se mede pelo regime político", afirma Romano. "Existe um projeto na Câmara para regularizar o lobby no Brasil, mas está na gaveta. É que, a partir do momento em que se normatizar, tudo o que for conseguido fora dessas normas vai ser muito difícil de não pegar. Hoje tudo é feito às escuras, o deputado é cassado às escuras", critica.
Para o filósofo, ainda há muito a ser feito no combate à corrupção. "Hoje temos boas iniciativas, como o Contas Abertas (veja aqui), o trabalho de grupos de juízes e do próprio Ministério Público, em que parte dos políticos vive querendo colocar mordaça exatamente por causa das investigações. Mas é preciso um cidadão vigilante, capaz de ajuizar que essas verbas e obras que chegam vêm provocando uma lentidão no sistema todo e fazem girar a corrupção", afirma.

Essa também é uma das conclusões do relatório: de que o combate à corrupção não cabe somente às empresas. Por isso, a ONG pede que o setor público reconheça que os riscos de corrupção começam com o suborno, que os governos concentrem-se nas possibilidades regulatórias e na cooperação internacional e que a sociedade civil adquira plena consciência de que a corrupção em empresas é a origem de muitos outros problemas sociais.

O Relatório Global de Corrupção 2009 terá sua versão em português lançada na noite desta quarta-feira (9), durante seminário sobre o tema em Brasília. A tradução foi feita pela Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade (ABRACCI), Transparência Internacional, com apoio financeiro da Fundação Avina e do Instituto Ethos. (http://noticias.uol.com.br/ultnot/internacional/2009/12/09/ult1859u2013.jhtm)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

PARECE QUE PRA FOLHA DE SP, O DEVER DE MOSTRAR NOTAS VALE!

Câmara deve entregar imediatamente notas à Folha

A Câmara dos Deputados deve entregar imediatamente ao jornal Folha de S.Paulo as notas fiscais apresentadas pelos deputados federais para justificar gastos nos últimos quatro meses de 2008. O jornal solicitou os dados diretamente à Câmara. Não teve acesso e decidiu pedir a intervenção do Supremo Tribunal Federal. No dia 20 de agosto, o ministro Marco Aurélio determinou a entrega dos documentos. Como a casa legislativa não cumpriu a liminar, Marco Aurélio reforçou a determinação, pela terceira vez, nesta terça-feira (29/9).

“Oficiem ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Michel Temer, cujo domínio do Direito é proclamado aos quatro ventos, para que, de imediato, dê cumprimento à liminar deferida, disponibilizando à impetrante a documentação relativa às despesas decorrentes de verbas indenizatórias proporcionadas aos integrantes da Casa”, determinou o ministro no despacho assinado ao meio-dia desta terça-feira (29/9).

Para Marco Aurélio, é injustificável o descumprimento da determinação judicial. “A quadra é realmente muito estranha, revelando, nos mais diversos setores da República, a perda de parâmetros, o abandono a princípios, a inversão de valores”, criticou o ministro.

No despacho, Marco Aurélio faz questão de ressaltar que a pendência de julgamento de agravo não permite deixar de lado a decisão judicial que determinou a entrega dos documentos — que são públicos — ao jornal. “É hora de atentar-se para a segurança jurídica, princípio medular à democracia.”

Para ter acesso aos documentos, a Folha argumentou que os profissionais de imprensa têm prerrogativas de acesso a documentos públicos, conforme previsto no artigo 5º, inciso XXXIII, e artigo 37 da Constituição Federal e nos artigos 4º e 22 da Lei 8.159/1991. Além disso, a defesa do jornal alegou urgência na divulgação da notícia sobre o assunto, “ante a atualidade do tema”.

De acordo com o jornal, o Plenário do Supremo Tribunal Federal deve analisar nesta quarta-feira (30/9) o mérito do Agravo Regimental apresentado pela Câmara dos Deputados para tentar caçar a liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio. Até as 19h20 desta terça-feira, a Câmara não tinha enviado os documentos ao jornal.

fonte CONJUR

quinta-feira, 23 de julho de 2009

PARTICIPE DA DEFINIÇÃO DE ONDE A PREFEITURA VAI GASTAR O DINHEIRO DO ORÇAMENTO

A Prefeitura de Curitiba convoca para a participação nas discussões do Plano Plurianual 2010-2013, que vai planejar as ações e obras prioritárias para os próximos quatro anos e da Lei Orçamentária Anual para 2010 em Curitiba.

Você pode participar pela internet. Para sugestões ao Plano Plurianual clique em http://planoplurianual.curitiba.pr.gov.br ) e novamente clique no link http://loa.curitiba.pr.gov.br para participar da Lei Orçamentária Anual de 2010 ou diretamente nas consultas e debates públicos que ocorrerão nas Administrações Regionais da Prefeitura, de 28 a 30 de julho de 2009 (veja agenda abaixo).
Agenda:

Dia 28/07/ 2009 - terça-feira das 19h às 21h - Consultas e Debates
A.R. Pinheirinho - Rua da Cidadania do Pinheirinho - Rua Winston Churchill, 2033
A.R. Matriz - Rua da Cidadania da Matriz - Praça Rui Barbosa
A.R Boa Vista - Rua da Cidadania do Boa Vista - Av. Paraná, 3600
Dia 29/07/ 2009 - quarta-feira das 19h às 21h - Consultas e Debates
A.R Cajuru - Escola Municipal - Prefeito Omar Sabbag - Rua Pedro Bocchino, 140
A.R CIC - Rua da Cidadania da CIC - Rua Manoel Valdomiro de Macedo, 2460
A.R Portão - Rua da Cidadania Fazendinha - Rua Carlos Klemtz,1.700
Dia 30/07/2009 - quinta-feira das 19h às 21h - Consultas e Debates
A.R Santa Felicidade Rua da Cidadania Santa Felicidade - Via Vêneto, s/n�
A.R Boqueirão - Terminal do Carmo
A.R Bairro Novo Rua da Cidadania Bairro Novo - Rua Tijucas do Sul, 1.700

segunda-feira, 6 de julho de 2009

SALÁRIOS E VERBAS ABSURDAS DOS NOSSOS CONGRESSISTAS!

Verbas e salário de um congressista brasileiro são mais do que o dobro dos benefícios a que tem direito um deputado nos EUA

A Transparência Brasil apresenta estudo sobre os rendimentos, verbas e assessoramentos recebidos por congressistas de Brasil, Chile, México, Estados Unidos, Alemanha, França, Grã-Bretanha e Itália.

No agregado, o salário e as verbas (para representação, para viagens e para a contratação de assessores) a que têm direito os deputados federais e senadores brasileiros superam R$ 1 milhão ao ano, colocando os congressistas do Brasil como os mais bem pagos, excetuando-se os deputados dos Estados Unidos (cerca de R$ 3 milhões).

No Brasil, o deputado e o senador recebem mais do que um deputado alemão (R$ 860 mil), francês (R$ 770 mil) ou britânico (R$ 760 mil).

Quando se faz a correção pelo indicador da renda per capita, os benefícios do congressista brasileiro ultrapassam os do deputado norte-americano e chegam ao topo da escala.

Os montantes a que um senador brasileiro tem direito representam 83 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Brasil. Isso quer dizer que, em média, um único senador se apropria de uma quantia equivalente à riqueza produzida por 83 brasileiros.

No caso do deputado federal brasileiro, o número é 68.

O deputado dos EUA se apropria de um montante equivalente a 32 vezes o PIB per capita local; para um senador do Chile, o número é 26.

Outras constatações:.

  • Quando se analisam apenas os salários, observa-se que no Brasil os ganhos do deputado federal e do senador são quase treze vezes o PIB per capita. Nos EUA, esse número não chega a quatro;
  • No Senado, a verba para a contratação de assessores é cerca de 55 vezes o PIB per capita; na Câmara, quarenta vezes; o terceiro colocado é o deputado dos EUA: dezenove vezes o PIB per capita local;
  • O número de assessores por parlamentar não passa dos doze em nenhuma Casa legislativa analisada (exceção feita à Câmara dos EUA, onde são dezoito). No Brasil, são 25 (Câmara) e onze (Senado);
  • A política para contratação de consultores também é peculiar no Brasil; enquanto em outros países o parlamentar é obrigado a explicar as razões pelas quais a consultoria foi contratada (o nome do consultor e o projeto para o qual o serviço foi prestado tem que estar na Internet) ou simplesmente é impedido de contratar consultoria (somente as comissões têm permissão para esse tipo de despesas), no Congresso brasileiro não há filtros para coibir o mau uso da prerrogativa.

Contato 11 3062 3436

Fabiano Angélico (coordenador de projetos)

Fonte Transparência Brasil

terça-feira, 16 de junho de 2009

Prefeitura de São Paulo tem lei que obriga a divulgação dos dados do funcionalismo público

O Município de São Paulo, desde abril de 2008 é obrigado, por lei estadual a informar quem são todos seus servidores e onde estão lotados. Infelizmente, de acordo com informação da Transparência Brasil, a lei não vem sendo cumprida em sua integralidade, pois alguns órgãos da prefeitura não passaram tais informações. Não obstante, a idéia da lei é elemento importante de controle ao cidadão, e da diminuição dos gastos absurdos em funcionários "fantasmas". Independente de existência da lei, a própria Constituição Federal já dispõe da obrigatoriedade da transparência na administração pública, o que obrigaria os órgãos públicos, a não ser que abarcados por questões de segurança nacional, de divulgar seu quadro e lotação, a fim de que qualquer cidadão pudesse fiscalizar o comparecimento destes funcionários. Assim TEMOS O DIREITO DE EXIGIR ESSA TRANSPARÊNCIA!!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Desde fevereiro a Prefeitura de Curitiba segue decreto para redução de gastos

Diante da crise financeira o prefeito de Curitiba baixou decreto no finalzinho de janeiro, determinando a redução de 15% nos gastos de custeio (pessoal, material de consumo e serviços de terceiros). No final de maio, a prefeitura prestou contas na Câmara dos Vereadores, e diz ter superado a meta de redução de gastos, economizando 18%. A pergunta é, se quando determinado há possibilidade de fazer esta redução, será que o dinheiro público anteriormente não estava sendo mal versado? Todos sabem que dinheiro do governo é dinheiro de ninguém, basta ver as repartições públicas com luzes acessas por toda a noite (olhem pro Tribunal de Justiça durante a noite...), os gastos não controlados sem linha dura do administrador, esvaem-se na irresponsabilidade do funcionalismo. Damos os parabéms ao prefeito, contudo que isso não seja feito somente em tempos de crise financeira e redução da arrecadação, mas em tempos normais, economizando nestes gastos supérfluos há mais recursos para aplicação do que a Cidade realmente precisa.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

JÔ SOARES E SUAS MENINAS DA POLÍTICA

Nas quartas feiras, há algum tempo, o multi-artista Jô Soares reúne algumas jornalistas de renome nacional num debate bem humorado sobre os mandos e desmandos da máquina pública.

Lúcia Hipólito, Cristiana Lôbo, Lilian Wite Fibe (em viagem), Ana Maria Tahan e Flávia Oliveira. Ao que me conste, o quadro do programa iniciou-se com o escândalo do mensalão, e perpetuou-se como uma divertida crítica, que por vezes ácida e muito intensa, é útil informativamente pelo gabarito das participantes.

O programa tem até um tema musical, que surgiu na época do mensalão, uma paródia de um tema musical de Hollywood. O saxofonista Derico mostra performances cômicas, fazendo paródias com conhecidas músicas, como da última quarta feira, onde personificou Sidney Magal, cantando sobre a Petrobrás e sua pretensa ou possível CPI.

É animador que a mídia, especialmente nossa emissora de maior audiência, dedique uma noite de um talk show tão consagrado para o debate político e conscientizador. Obviamente, a maestria do humorista dá um tom leve ao debate, mas Jô Soares faz inserções reflexivas e conscientes em muitos momentos.

Não há nada mais a se fazer do que um elogio ao senhor José Eugênio Soares, que com seus 71 anos (pasmem), dedica uma parte de seu caro e precioso tempo a incentivar o poder crítico e a consciência política.

Assistam quando puderem!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Entrevista CBN

A Afavep realizou entrevista na rádio CBN Curitiba na tarde desta 4a feira, (04/06/09) onde o foco principal foi a divulgação deste blog e um pequeno debate informativo com o apresentador Marcos Tozzi. Se houver disponibilidade do áudio, tentaremos divulgar aqui para maiores informações.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Combate a corrupção - primeiro passo é informação


Obter informação é o primeiro passo do cidadão que pretende fazer parte da sociedade civil atuante contra corrupção. A internet hoje é uma fonte importante de informações, mas que como todos os meios de comunicação tem que ser tida como fonte não absoluta e verdadeira, e sempre questionada com uma análise mais aprofundada. Um dos sites interessantes é o da organização Transparência Brasil que traz uma série de informações sobre corrupção, gastos públicos, comportamento dos agentes políticos. Dê uma passeada por lá!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Receita do Município de Curitiba -1º Bimestre de 2009

A receita realizada no primeiro bimestre de 2009, do Município de Curitiba, de acordo com o próprio site oficial da prefeitura, foi de R$ 714.699.882,81 (setecentos e quatorze milhões, seiscentos e noventa e nove mil, oitocentos e oitenta e dois reais e oitenta e um centavos) - a receita a realizar para o decorrer do ano é estimada em aproximadamente QUATRO BILHÕES DE REAIS, cabe a nós, sociedade civil em geral, fiscalizar onde vai esta quantia absurda de dinheiro arrecadado.

MORAL E ÉTICA - UMA QUESTÃO DE NATURALIDADE

Essa semana que passou recebi um interessante correio eletrônico, apontando a criação do MUCO, Museu da Corrupção.
Aos curiosos, eis o site indicado: http://www.dcomercio.com.br/especiais/2009/museu/index.htm

Contudo, a brincadeira (muito séria, aliás), chama atenção por conta de um detalhe, em especial: a quantidade de escândalos, casos, operações, cronologicamente listados pelos idealizadores do Museu.

São dezenas e mais dezenas a cada década.

Se internalizarmos a discussão, vale a pena repisar o que tantas vezes se disse: o hábito fez da desonestidade, da corrupção, dos crimes contra o erário, do desvio de dinheiro, fatos incluídos nos nossos usos e costumes.

Temos o presidente tão popular, rivalizando em números certamente com Getúlio e Juscelino.

Contudo, este mesmo indivíduo vai à imprensa e declara com tranquilidade que o Caixa 2 é comum e habitual, que todo mundo faz, bem como declara que ele mesmo usava passagens para a família lhe visitar em Brasília quando era deputado.

Não estou colocando em discussão aqui a legalidade das questões. Se o Caixa 2 é patente em sua ilegalidade, o uso das passagens pode ter interpretações normativas das diretivas internas de nosso congresso ao bel prazer da hora, do interesse da mídia e do eleitor, bem como das presidências das casas e do comprimento de suas rédeas.

Mas o que é inegável é que padecemos de um mal maior. Não temos como natural, como espontâneo, como voluntário, este ato de controlar e de valorar diretamente nosso proceder.

Precisamos de discussões éticas, de diletância sobre a moral, até de certa subjetividade para repudiar o ato.

Isso se reflete no próprio presidente da República. Ao enfrentar questões onde a moral, como valor absoluto, é ferida, parece haver um discurso de contemporização sempre no ponto.

A repreensibilidade dos atos não mais se mostra na indignação direta e inevitável. Aliás, não se sabe se algum dia se mostrou.

Vivemos uma era de exposição saudável das entranhas apodrecidas da administração pública, mas parece que todo mundo acostumou com o mau cheiro disto.

Com as devidas ressalvas, não querendo cair na velha argumentação comparativa, temos que subir uma montanha bem maior do que certas culturas e nações.

Admitimos sim, um líder do executivo populista e amenizador.

Admitimos instituições paralelas, não vivendo uma crise de instituições, propriamente, pois quando observamos instaladas instituições meta-estatais (em simbiose com as instituções erigidas pela constituição federal), ou seja, quando constatamos que a desonestidade, o ilícito civil e penal merecem tolerância como se fosse o verdadeiro sistema, temos que encarar o fato de que o tão comentado "fisiologismo" nada mais é do que a institucionalização do incorreto, do escuso, do indevidamente vantajoso e do moralmente subjetivo e flexível.

E pior: tratamos os extremistas, aqueles que encampam em sua vida eventual caça às bruxas, como se fossem tão ruins quanto os corruptos, corrompidos e corruptores.

A distorção conceitual é fruto de um acúmulo anestesiador de usos e costumes.

O homem cordial, conceituado por Sérgio Buarque de Hollanda, não é incompreensível.

Confrontar, colocar-se de frente, erguer o valor através do argumento, e passar pelo enfrentamento não é uma característica brasileira.

Aos oficiais nesse campo de batalha, portando, cabe a tarefa de seduzir com virtude, de cooptar com ideologia, ao mesmo tempo em que se posicionam de modo ofensivo e real ao sistema instituído.

Tornar natural o ato de entender e julgar o fato ou o ato, sob as premissas da ética e da moral, não é apenas uma tarefa ostensiva . O choque, onde há que se incomodar para mudar algo, para o brasileiro continua sendo indesejável e sofrido.

A luta merece sempre, um viés emergencial e um planificado, de modificação estrutural.

Acredito, piamente, que a decantação dos valores dentro do indivíduo é que conduzirá este país a uma mudança.

Dia a dia, pessoa a pessoa, é essencial que os que tem poder de liderança sejam, por um lado, justiceiros, e por outro, doutrinadores.

A naturalidade da indignação, a naturalidade da classificação do ato corrupto, quando um dia se tornarem reais, trarão a tão almejada vigilância geral, defluindo na desmotivação da gestão interesseira do que é de todos, do que é o bem público.

ELMO SAID DIAS

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Experiência da AFAVEP na publicidade dos gastos públicos

No ano de 2004, diante de uma série de denúncias que recebemos de má-versação de dinheiro público na Secretaria de Segurança do Estado do Paraná, fizemos pedido administrativo para que pudessemos verificar in loco as contas desta pasta. O pedido foi denegado pelo Secretário de Segurança, motivando então a propositura de um mandado de segurança, baseado em preceitos Constitucionais, na lei federal 8159/91, e principalmente em lei Estadual Paranaense de nº 14042/03, que prevê que todos os gastos públicos deveriam ser publicados no diário oficial.
Contudo... a segurança foi denegada, com a argumentação de que só quem poderia fiscalizar os gastos públicos seria o Tribunal de Contas... e mais.. recorremos ao STJ, e o veredito foi o mesmo.
Foi revoltante ver o Poder Judiciário fechando as portas à sociedade civil para exercer um de seus básicos direitos, fiscalizar a aplicação do dinheiro que é público.
A Transparência Brasil está com boas intenções.. agora é de se ver como serão as intenções do Gongresso e depois principalmente do Judiciário. De nada adianta criar lei para não ser cumprida, os direitos de fiscalização já estão previstos na Constituição Federal, mas o que acontece é sempre negar aos cidadãos acesso as informações de gastos.
Quem quiser ter informações sobre o mandado de segurança, é só acessar o site do TJPR, MS nº 169363-8.

Notícia da Transparência Brasil sobre publicidade dos gastos públicos

Comunicado da Transparência Brasil sobre projeto de lei de acesso a informação pública

 

Uma proposta de regulamentação do acesso a informação pública, projeto sobre o qual a Transparência Brasil teve atuação decisiva, foi enviada ao Congresso pelo governo federal nesta quarta-feira (13).

O texto encaminhado pela Casa Civil da Presidência da República propõe a regulamentação de dois dispositivos constitucionais: o direito a qualquer pessoa de ganhar acesso a informação detida pelo poder público (Art. 5º, inciso XXXIII) e o dever do Estado de dar publicidade a seus atos (Art. 37).

A proposta que chega nesta quarta-feira ao Congresso é resultado de um movimento iniciado pela Transparência Brasil em 2005, quando esta ONG propôs no Conselho de Transparência Pública e Combate à Corrupção (organismo situado na Controladoria-Geral da União e do qual a TBrasil faz parte) que se preparasse um projeto de lei regulamentando as disposições constitucionais.

Baseado em orientações da TBrasil, elaborou-se então um texto que foi enviado à Presidência no início de 2006. Em setembro do mesmo ano, durante a campanha eleitoral, o então candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva incluiu em sua plataforma o envio do projeto ao Congresso.

A Transparência Brasil apóia o projeto do governo federal e trabalhará com outras entidades, em particular aquelas reunidas no Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, no sentido de aperfeiçoar o texto naquilo que se entender conveniente, exortando o Congresso Nacional a aprovar o texto na brevidade possível.

Transparência Brasil.

AFAVEP NA NET

A AFAVEP existe desde o ano 2000, contudo somente agora aderiu ao mundo cibernético, de modo a divulgar as ações e aumentar as informações necessárias, para que a comunidade civil possa lutar contra o mal que derruba nosso País, a má-versação de dinheiro público.
A AFAVEP atualmente atua somente no Estado do Paraná, o que não exclui a possibilidade dos interessados de outros Estados, nos contactarem a fim de dividirmos experiências e eventualmente criamos braços da associação em todo Brasil.
Post de inauguração, para que o trabalho daqui em diante seja partilhado.